Papo Literário #4 - “Por que um corvo se parece com uma escrivaninha?”‏

O "Papo Literário" é uma coluna do Blog Livros e Coisas Menos Incríveis, onde todas as quintas-feiras o Caleb vos escreverá sobre livros, autores, adaptações cinematográficas, séries de TV’s, indicações etc. 
Olá! Estou de volta! E trago para vocês mais um autor clássico obrigatório na lista de leituras de sua vida. Ele se chamava Charles Lutwigde Dodgson, mas pouca gente sabe disso, já que o seu pseudônimo é menor e bem mais fácil de decorar: Lewis Carroll. Apresento-vos então o escritor de nada mais, nada menos que Alice no País das Maravilhas.

Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo seu pseudônimo Lewis Carroll (Daresbury, 27 de janeiro de 1832 — Guildford, 14 de Janeiro de 1898), foi um romancista, poeta e matemático britânico. Lecionava matemática no Christ College, em Oxford, e é mundialmente famoso por ser o autor do clássico livro Alice no País das Maravilhas e os poemas presentes neste livro, além de outros poemas escritos em estilo nonsense ao longo de sua carreira literária, são considerados por críticos, em função das fusões e da disposição espacial das palavras, como precursores da poesia de vanguarda.



"Tudo tem uma moral: é só encontrá-la."
— Lewis Carroll.

Charlie (ou Lewis, se você preferir) recebeu uma educação bastante religiosa de seu pai, que desejava vê-lo seguindo os caminhos de Deus, mas ele desviou-se de vez desse caminho aos 19, quando ingressou na Universidade de Oxford, onde sempre se mostrou interessado e esforçado, chegando a ganhar uma medalha de honra ao mérito. Logo após o termino do curso recebeu um convite para lecionar matemática nesta mesma universidade, função que exerceu durante a maior parte de sua vida.


Estudiosos afirmam que em muitos de seus livros há vários problemas matemáticos e suas soluções, além de vários enigmas, como é o caso do título do Papo Hoje de hoje: Afinal, “Por que um corvo se parece com uma escrivaninha?”. Incontáveis pessoas tentaram responder a essa charada, mas é óbvio que ninguém sabe exatamente a resposta, já que ela não existe. De qualquer forma, Carroll escreveu, num prefácio para a edição de 1896, o seguinte:

"Tantas vezes me foi perguntado se é possível imaginar alguma resposta para o Enigma do Chapeleiro que posso também registrar aqui o que me parece uma resposta claramente apropriada, qual seja: “Porque pode produzir algumas notas, embora sejam muito chatas; e nunca é posto de trás para a frente!” Isso, contudo, é uma mera reflexão posterior; o Enigma, tal como originalmente inventado, não tem resposta nenhuma." 


O que pouca gente sabe é que a história de Alice no País das Maravilhas teve origem em 1862, durante um passeio de barco pelo rio Tâmisa com sua amiga Alice Lideell (que tinha 10 anos na época) e suas duas irmãs, sendo as três filhas do reitor da Christ Church. Ele as contou uma história que deu origem à atual, sobre uma menina chamada Alice que ia parar em mundo fantástico após cair numa toca de um coelho. A Alice da vida real gostou tanto da história que pediu que ele a escrevesse. Atendendo seu pedido ele a surpreendeu em 1864 com um manuscrito chamado Alice’s Adventures Underground (As aventuras de Alice Embaixo da Terra, em português). Mais tarde ele decidiu publicar o texto, com alguns pequenos acréscimos, que para alegria de todos foram: O Gato de Cheshire e o Chapeleiro Maluco. A história teve um sucesso estrondoso e foi lido inclusive por Oscar Wilde e pela rainha Vitória, além de ter sido traduzida para mais de 50 línguas. 



Então, o que acha de conhecer um pouco mais sobre as aventuras da pequena Alice?
Junte-se a mim nesta aventura! Vai ser muito legal! Comecemos descendo pela toca do coelho. 


– Aaaaaaaaaaaaaaaaah! Meu Deus! Estamos caindo!
(Silêncio)
– Continuamos caindo, caindo, caindo e pelo visto a queda vai demorar. Ainda bem que você veio comigo, pois seria bem chato esperar sozinho, não acha? Então... Já sei! Enquanto esperamos vou te contar um pouco mais sobre a Alice, tudo bem? 


Alice, menina curiosa e cansada de seu mundo monótono, acaba caindo no maluco País das Maravilhas ao seguir o apressado Coelho Branco. Lá conhece personagens como os irmãos gêmeos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, o Gato Risonho, a Lagarta, toma chá com a Lebre Maluca e o Chapeleiro Louco e participa de um jogo de crocket com a Rainha de Copas.



Título Nacional: Alice no País das Maravilhas & Alice Através do Espelho.
Autor: Lewis Caroll.
Editora: Zahar.
Ano: 2010.
Páginas: 317.




Serei breve, pois sei que quase todos já conhecem muito da Alice, já que ela vem encantando a todos desde sempre. Aos que não conhecem, aviso: É quase impossível não amar essa garotinha, que é ingênua e sonhadora, porém curiosa e notável. Há também o Coelho Branco, sempre atrasado, porém muito prestativo, o Chapeleiro Louco, que está geralmente acompanhado de sua amiga, a Lebre de Março e do pequeno Ratinho dorminhoco, o Gato Cheshire, a sábia Lagarta, os gêmeos, uma Rainha pra lá de louca e muitas, mas muitas cartas de baralho, dentre outros tantos personagens que sem dúvida ficarão para sempre em sua memória.

O universo de Alice está espalhado por todos os lados e vão de livros, mangás, filmes, cadernos, roupas e acessórios à decoração de ambientes. Eu honestamente adoraria mostrar alguns itens peculiares, mas é impossível fazê-lo enquanto caímos. Mas falando em filmes, esta é uma das obras que mais tem adaptações para as telas, que vão de filmes a séries e até mesmo animes (animações japonesas). Olha só o tamanho desta lista: 

  • Alice in Wonderland (1903), filme mudo dirigido por Cecil Hepworth e Percy Stow;
  • Alice's Adventures in Wonderland (filme de 1910), filme mudo dirigido por Edwin Stanton Porter;
  • Alice no País das Maravilhas (filme de 1915), filme mudo dirigido W. W. Young;
  • Alice in Wonderland (filme de 1931), dirigido por Bud Pollard;
  • Alice no País das Maravilhas (filme de 1933) dirigido por Norman Z. McLeod;
  • Alice in Wonderland (filme de 1949), filme stop motion com animação dirigido por Lou Bunin;
  • Alice in Wonderland (1951), filme de animação tradicional da Walt Disney Animation Studios;
  • Alice of Wonderland in Paris, filme animado;
  • Alice in Wonderland (or What’s a Nice Kid Like You Doing in a Place Like This?), filme para televisão de 1966 da Hanna-Barbera;
  • Alice in Wonderland (filme de 1966), filme para televisão da BBC dirigido por Jonathan Miller;
  • Alice's Adventures in Wonderland (filme de 1972), musical britânico;
  •  Alice in Wonderland (filme de 1976), filme pornográfico (menores, não procurem este!);
  • Alice (filme de 1981);
  • Fushigi no Kuni no Alice, anime da Nippon Animation de 1983;
  • Alice in Wonderland (1985), filme para televisão;
  • Alice in Wonderland (1986 TV serial), 4×30 adaptação para TV da BBC TV escrita e dirigida por Barry Letts;
  • Alice in Wonderland (1988);
  • Něco z Alenky (filme de 1988), filme de live-action/stop motion surrealista dirigido por Jan Švankmajer; lançado em inglês como Alice pela First Run Features;
  • Adventures in Wonderland (série de TV 1991-1995 TV Series), Disney Channel series where Alice can go through her bedroom mirror to Wonderland;
  • Alice in Wonderland (filme de 1999), filme para televisão;
  • Abby in Wonderland (filme de 2008);
  • Alice (minisserie de 2 episódios de 2009), adaptação para tv feita pela SyFy;
  • Alice in Wonderland (2010) Filme dirigido por Tim Burton, com a participação de Johnny Depp, como o Chapeleiro Maluco;
Quem me dera ter assistido à todas, me recordo de ter visto três apenas: A animação da Disney, a versão do Tim Burton e a série da SyFy (que por sinal é perfeita).

– Espera aí. A gente parou de cair! Puxa! Que pena! Logo agora que eu ia falar mais, mas enfim deixemos isso para outra hora porque atrás daquela minúscula porta, sim, a que fica atrás da cortina, há um mundo incrível esperando por nós. Mas, onde é que estão meus bons modos?! Quase me esqueço de dizer, perdoe-me, sim? Bem vindo ao País das Maravilhas!

Até semana que vem!
E como há braços, abraços.
Caleb Henrique.

10 comentários:

thamiressilva18@yahoo.com.br disse...

Eu sempre quis ser Alice no pais da maravilhas pois a historia è tão linda.caleb você e demais viu......

Ivonise Pontes disse...

Li Alice no país das maravilhas quando tinha 10 anos, lembro que amei,e agora quero ler novamente. Amei o post, descobrir muitas coisas que não sabia.
Como sempre Caleb escreve muito bem.

Nathália Risso disse...

Oi Caleb!
Acredita que ainda não li Alice? Só assisti ao filme do Tim Burton e amei a história *.*
Mas tenho o livro aqui, só falta um tempinho hehehe!
Ótimo post!
Obrigada pela visita e pelo comentário!
Tem post novo, passa lá :)
Beijos,
Nathi
@bookswonderland
Books in Wonderland

'Mairana disse...

Ah Alice... Sempre escolhendo belos temas para o post. E sabe que a versão do Tim Burton é a minha preferida, né? *--------*
Ótimo post (como sempre). Beijo.

Gabriel Waldorph disse...

Eu jurava que Lewis Carroll era um nome de uma mulher. Adoro contos de crianças meus favoritos tão Alice e Mágico de OZ. Tenho a coleção em hardcover de todos os contos de Alice é um dos livros mais lindos da minha estante, já li alguns contos é estranho uma história tão falada até hoje e também tão antiga né? e nossa como já teve vários filmes da Alice hein?
Ótima matéria, parabéns Caleb

Laísa C. disse...

O primeiro contado que tive com Alice no País das Maravilhas foi com o clássico filme da Disney. Desde criança achei a coisa bizarra e muita louca, o que me causou aversão, não sei qual o motivo.

No meu trabalho de conclusão de curso de faculdade escolhi logo a loucara de Lewis para defender...

Alice no País das Maravilhas, a obra mais famosa do autor, é uma grande sátira da vida no final do século XIX, este inocente romance esconde as intençoes mais íntimas de Lewis Carrol, diga-se de passagem que ele tinha uma atração,além da amizade, pela Alice da vida real...

Dodgson, era gago, como um personagem seu, o Do-do, se não me engano, ele nunca se casou, foi um dos grandes percursores da fotografia, fotografando principalmente meninas(nuas).

Morreu com 60 e poucos anos, solteirão. E antes do fim, queimou todas as cartas que havia trocado com Alice durante a vida inteira, e o pior, perdeu o repentinamente o interesse pelas obras em que Alice se aventurava por um mundo louco...

Tolkien defende que Alice no País das Maravilhas não chegar a ser um conto de fadas, pois está muito longe de se desraigar da realidade.. (Leia Sobre estórias de Fadas)

No final das contas, Lewis só queria ter a pessoa que mais amava de perto, mesmo que só na imaginação...

E, sim, ele era pedófilo...

Caleb Henrique disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Caleb Henrique disse...

Olá, Laísa.

Assim como você conheci Alice pelo clássico da Disney, que, diferentemente de você, eu amava - e sigo amando até hoje. E posteriormente li os livros, dos quais sou grande fã.

Ao me aprofundar na história do Dogson descobri essas peculiaridades sobre as cartas e fotos das meninas. Ainda que as fotos fossem tiradas com o consentimento das mães fiquei em dúvida se deveria ou não revelar tal hábitos, assim como seu amor platônico pela pequenina Alice, no Papo Literário. Optei por não, já que isso poderia mudar o modo como os novos leitores viriam a ver o livro. Que no meu caso, é: curioso, intrigante e mágico.

Embora concorde com sua última afirmação e isto me cause uma certa repulsa, o livro, tal qual o País das Maravilhas estão gravados carinhosa e inocentemente nas páginas de minha infância e é isso que levarei comigo para sempre.

Obrigado, não só a você, mas a todos que comentaram. Só o fato de terem lido já me deixa imensamente feliz.

E como há braços, abraços.

Ceile disse...

Eu tenho o livro publicado pela Martin Claret e ele é uma completa viagem. Fiquei imaginando Lewis escrevendo isso em 1862 - quanta audácia, não? Quanta criatividade e poder de imaginação!

Maior ainda a imaginação dos produtores, hein? Quanta coisa relacionada com Alice (OMG, até filme pornográfigo :O).

Alice virou ícone: tudo lá de Wonderland chama atenção... Quem nunca teve vontade de cair naquela toca? rsrsrsrs

Adorei o post!

Um beijo!

Laísa C. disse...

Oi Caleb,

Quando li a postagem e percebendo que omitiram fatos curiosos sobre Liwes Carrol, logo me veio que mente a verdade poderia impactar o leitor e rotular o autor de forma negativa... Claro, também fiquei chocada com essas "descobertas", o que não anula a genialidade do autor e o papel dele diante da literatura infantil.

Gostei da réplica... ;)

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