Papo Literário #6 - Entrevista - Nanuka Andrade

O "Papo Literário" é uma coluna do Blog Livros e Coisas Menos Incríveis, onde  o Caleb vos escreverá sobre livros, autores, adaptações cinematográficas, séries de TV’s, indicações etc. 
Bom dia, boa tarde ou seja lá quais forem as horas neste momento, estou de volta! E hoje teremos um Papo Literário totalmente especial, minha primeira entrevista! Ele é brasileiro e escreveu um dos melhores livros nacionais da atualidade. Então sem mais delongas vos apresento Nanuka Andrade, o autor de ‘Camundo – O desenho e a sombra’.   




Caleb, muito obrigado pela oportunidade! Bom, meu nome é Luiz Andrade, mais conhecido por Nanuka. Sou autor do livro 'Camundo - o Desenho e a Sombra, editado em 2011. Além de escritor, sou desenhista, o que me proporcionou o privilégio de ilustrar a capa e todo o livro. Profissionalmente, sou publicitário, trabalhando com desenho e animação para empresas privadas e estatais.” 




Eu quem agradeço a honra de entrevistá-lo. De verdade. É uma honra imensa para mim entrevistar um dos melhores autores nacionais dessa nova geração. Uma geração de jovens que leem por prazer, que buscam conhecimento, aventuras, mundos novos e segredos por livre e espontânea vontade.

Mas antes da Entrevista, vamos conhecer um pouco de seu livro de estreia, Camundo:



Depois de fugir de um asilo de desvalidos, Camundo encontra abrigo na casa de um rico e influente ervateiro. O que poderia ser um final feliz para um menino abandonado, acaba se tornando em uma infeliz sucessão de acidentes e infortúnios. Camundo não é um menino comum; é capaz de desenhar coisas terríveis, que acontecem logo em seguida: incêndios, acidentes e crimes, entre outras temeridades. O que Camundo não sabe é que desenhos assim podem despertar interesse de gente perigosa, como uma sociedade secreta, conhecida por Asseclas do Lagarto, que está disposta a tudo para trazer um segredo milenar à tona, escondido nos corredores subterrâneos da cidade.

Título: Camundo – O desenho e a Sombra
Autor: Nanuka Andrade
Editora: Underworld
Ano: 2011
Páginas: 374


Booktrailer:




Há muito pouco concluí o livro e em breve (lê-se: assim que conseguir um tempo) trarei a resenha do o mesmo para vocês. Mas deixemos isto de lado por enquanto e ver o que o Nanuka tem para nos contar.





Camundo é um livro singular e possui uma temática inédita e intrigante para muitos de nós. De onde surgiu a ideia para o livro?
  




A ideia para o livro surgiu em 2004, enquanto assistia a um seriado americano, chamado "Early Edition". Nele, um rapaz recebia um jornal do dia seguinte revelando, na maioria das vezes, acidentes e crimes. A corrida do protagonista para impedir tais acontecimentos me encheram de ideias. Foi então que comecei a pensar na história de um menino que pudesse prever o futuro através de desenhos. Aproveitei um personagem que se chamava Camundo, de uma outra história, e vi nesta possibilidade um bom argumento!



            

Um argumento verdadeiramente excelente, não há como negar. Confesso que essa coisa toda de pictomancia e pictogramas me intrigaram bastante e como leitor curioso que sou não posso deixar de perguntar: O livro exigiu muitas pesquisas sobre o tema?


 

Sem dúvida pesquisar faz parte do ofício do escritor. No caso do "Camundo", havia ainda o fundo histórico, que envolvia a cidade de Curitiba, do inicio do século XX, exigindo ainda mais leituras de jornais, e costumes da época. A Pictomancia, embora exista uma infinidade de outras artes de adivinhação similares, foi criada especialmente para o livro. Não existia até aquele momento, uma área desta ciência oculta que falasse sobre a adivinhação do futuro através de pictogramas. Ou pelo menos a terminologia 'picto+mancia’.


            

Bem como eu havia suspeitado meu caro elementar, Nanuka. Você é um escritor verdadeiramente admirável, é impossível não admitir isto. Um orgulho para o Brasil. E falando em Brasil, a Bárbara fez uma pergunta muito boa e seria impossível não trazê-la até você: "Como é ser um autor brasileiro hoje em dia, onde as editoras do nosso país dão tanto valor às obras internacionais, e como foi lidar com isso no começo da carreira?”.


 

Caleb, que gentileza! Agradeço sinceramente a confiança e o prestígio depositados em meu trabalho. Agradeça também à Bárbara por ter feito a pergunta. Bom, acredito que o Brasil tenha uma característica social, que faz de nós tão receptíveis às diferenças, e ao que vem de fora. Há quem diga que são reminiscências de um colonialismo recente. Seja como for, atribuir um valor maior ao que é estrangeiro, nunca foi novidade na História do país. Como autor nacional, sempre procurei fazer o que os modernistas tão bem fizeram na semana de 22 (época em que o "Camundo" se situa no tempo). em que se fazia o que chamavam de "antropofagismo cultural". Ou seja, engolir o que vem de fora, mas regurgitar algo novo, e que tenha a nossa identidade. Competir com livros de língua estrangeira, especialmente inglesa, exige este processo.


            

Este é “Camundo”, um livro novo, repleto de nossa identidade e personagens peculiares e cativantes. Falando neles, como foi o processo de criação dos personagens? Há algum que possui características suas?


 

Em parte, todos os personagens têm um pouco do autor, ou pelo menos o olhar daquele que escreve, embora, em tese, personagens tenham a curiosa habilidade de se guiar ou agir com vigorosa autonomia. Pode parecer estranho, mas ao criar um enredo, acaba se estabelecendo um jogo de lógica, onde o que vale são as atitudes do personagem e não o comportamento daquele quem escreve. Tenho em comum com o Camundo o desenho, ou a habilidade de expressar sentimentos com lápis e papel. A Malini é um pouco do meu lado voluntarioso, e a Cindina, que é bem medrosa, uma pitada da minha sensatez em frear àqueles que estão avançando sem cautela. Mas são apenas nuances.


             

Este é “Camundo”, um livro novo, repleto de nossa identidade e personagens peculiares e cativantes. Falando neles, como foi o processo de criação dos personagens? Há algum que possui características suas?


 

Em parte, todos os personagens têm um pouco do autor, ou pelo menos o olhar daquele que escreve, embora, em tese, personagens tenham a curiosa habilidade de se guiar ou agir com vigorosa autonomia. Pode parecer estranho, mas ao criar um enredo, acaba se estabelecendo um jogo de lógica, onde o que vale são as atitudes do personagem e não o comportamento daquele quem escreve. Tenho em comum com o Camundo o desenho, ou a habilidade de expressar sentimentos com lápis e papel. A Malini é um pouco do meu lado voluntarioso, e a Cindina, que é bem medrosa, uma pitada da minha sensatez em frear àqueles que estão avançando sem cautela. Mas são apenas nuances.

  
            

A sequência de “Camundo” já está a caminho, mas ainda que seja cedo demais para perguntar o farei: Pretende escrever um terceiro, quarto, quinto ou mais livros com o nosso jovem desenhista?


 

Tenho planos para mais dois livros, e uma história em quadrinhos. O segundo está sendo escrito há algum tempo, e o terceiro, embora sem previsão para lançamento, já tem uma sinopse, que venho rabiscando desde que o primeiro livro foi lançado.


            

Vi os esboços da história em quadrinhos e não vejo a hora de tê-la em mãos. Acho que é a primeira Graphic Novel desenhada pelo próprio autor da qual já tive conhecimento. Já está trabalhando nela, ou ainda é um plano futuro?


 

Obrigado, Caleb! Na verdade, venho tocando o projeto à medida que encontro tempo entre um trabalho e outro. Gostaria de lançar assim que terminasse os livros, ou então, intercalando entre um e outro.
Estou me disciplinando para isso!

  
            

Falando em livros, vi em seu blog que você tem mais três pré-projetos além de Camundo, correto? Um deles, 'O ladrão de destinos' será publicado pela Subtítulo. Pode nos adiantar um pouco mais a respeito dele? (enredo, inspiração etc.)


 

Claro! "O Ladrão de Destinos" é um livro que comecei a escrever em 2010. Narra a vida de uma menina que sofre de constantes crises de sonambulismo, um distúrbio do sono sobre o qual ela não tem o menor controle. Durante o processo ela acredita se transportar para um lugar, chamado A Orla, onde pessoas que estão entre a vida e a morte transitam sem problemas. Acontece que à cada viagem, a menina descobre que crianças recém-nascidas da sua vizinhança, passam a adoecer misteriosamente. É, então, que ela toma conhecimento através das pessoas da Orla, que existe um sujeito misterioso roubando o destino destas crianças. É uma fantasia, onde misticismo e aventura dão o tom da narrativa.


            

UAU! Parece ser incrível!
Já tem alguma previsão sobre a data de lançamento? 


 

Puxa, ainda não, Caleb. Mas estou adiantando bem para terminar ainda este ano.

            

Enquanto esperamos a publicação de “O Ladrão de Destinos” e a sequência de “Camundo”, pode nos indicar alguns de seus livros preferidos?




Claro! Tenho vários livros que gosto muito. "A chave do Tamanho" (Monteiro Lobato), "Martin Éden" (Jack London), "Alice no País das Maravilhas" (L. Carroll), "A Ilha do tesouro" (R. L. Stevenson), "A Mulher do Viajante no Tempo" (Audrey Niffenegger), são alguns deles.


            

Obrigado pelas dicas. E, para finalizar nossa entrevista - que por sinal, amei fazer - nada melhor do que um convite feito pelo próprio autor para se aventurar com o jovem Camundo nessa aventura tão maravilhosa e imperdível. A palavra é toda sua:


 

Caleb, eu que devo agradecer a oportunidade. Deixo aqui o meu convite para todos que prestigiam o blogue a ler "Camundo, o Desenho e a Sombra", e futuramente "O Ladrão de Destinos", duas histórias que escrevi ( e venho escrevendo) com muito carinho. Espero muito que gostem da história, e me digam o que acharam!
                  

Então, o que está esperando? Corra, compre o seu exemplar, leia, ame e vicie.

Assim me despeço, com a promessa de voltar.
E como há braços, abraços.
Caleb Henrique


17 comentários:

thamiressilva18@yahoo.com.br disse...

Camundo, me faz retratá-lo em minha mente como um menino sonhador, que faz de seus desenhos um mundo cheio de aventuras e fantasia e desperta em mim uma vontade quase insana de lê-lo. Ao mesmo tempo comparo o pequeno menino com meu amigo, Caleb, que ao invés de desenhos usa as letras sabiamente para nos trazer as mais belas fantasias. Que também é cheio de sonhos, e tem uma vontade louca de realizá-los. Que com certeza não veio parar na terra por acaso. Meu lindo e inteligentíssimo amigo. Nosso pequeno menino poeta...

'Mairana disse...

Vim para fazer meu comentário, e me deparei com o comentário da Thamires e fiquei sem palavras diante do mesmo.
"Camundo, me faz retratá-lo em minha mente como um menino sonhador, que faz de seus desenhos um mundo cheio de aventuras e fantasia e desperta em mim uma vontade quase insana de lê-lo. Ao mesmo tempo comparo o pequeno menino com meu amigo, Caleb, que ao invés de desenhos usa as letras sabiamente para nos trazer as mais belas fantasias. Que também é cheio de sonhos, e tem uma vontade louca de realizá-los. Que com certeza não veio parar na terra por acaso. Meu lindo e inteligentíssimo amigo. Nosso pequeno menino poeta..."

Bom, ela disse tudo. Caleb sempre nos envolvendo em palavras e sempre deixando uma ponta de curiosidade para os mais diversos assuntos. Assim que tiver algum tempo, com certeza, irei ler Camundo e o Nanuka tem sorte em te ter como o maior fã.

Ivonise Pontes disse...

Minha amiga Thamires estava inspirada, deve ser a convivência com o Caleb, ele faz isso com as pessoas que o cercam.Sua primeira entrevista muito boa, gostei mesmo ( aliás eu gosto de tudo que ele escreve)e concerteza comprarei Camundo. Mais um na lista dos livros que quero ler.

Gustavo disse...

Adorei a entrevista.Fiquei super curioso para ler "Camundo" e ainda mais curioso para ler "O Ladrão de Destinos".Parabéns Caleb ótimo trabalho.E pelo que foi falado na entrevista o Nanuka também merece os parabéns.

Caleb Henrique disse...

Thamires, devo admitir que seu comentário quase me levou às lágrimas e "muito obrigado" é o mínimo que posso dizer diante de tão belas palavras. Sério, sabes que és demasiadamente importante para mim, sim? Obrigado de coração pelo carinho e amizade. São coisas que levarei comigo para sempre.
Mairana, Ivonise, Gustavo, sou igualmente grato a vocês por terem lido. Obrigado e sim, "Camundo" é um livro que vale muito a pena ser lido. Portanto, não deixem de fazê-lo :)

Idéias Abertas disse...

Estou feliz que autores brasileiros estão dando as caras para a nossa literatura. Precisamos de autores com esse estilo. Parabéns Caleb. Entrevista muito legal. Estou querendo muito ler esse livro.

Fernanda disse...

É um privilégio ver brotar perante meus olhos mais um futuro promissor. Caleb é um jovem que a pouco conheço, mas já me encanta e surpreende com suas palavras inspiradoras, e seu trabalho bem estruturado. Um rapaz de nobre coração e um talento ímpar, sua intimidade com as palavras faz dele um "menino poeta" como citado anteriormente. E já se tornando um grande homem. Parabéns pelo seu trabalho.

Paty Algayer disse...

Adorei a entrevista!!
O Nanuka, além de um grande amigo, é um autor incrível, com um talento excepcional! Tive a felicidade de ler o livro Camundo - O Desenho e a Sombra antes mesmo do lançamento do mesmo, e posso dizer que é uma história excelente, que vale a pena ler!!
Bjus
Paty Algayer - http://www.magicaliteraria.com/

Antonia Chevallier Sundrani disse...

Adorei a entrevista!! Não conhecia o livro dele e fiquei louca pra ler, parece muito bom! *-*
Beijos!!

Ann;
Vinte & Poucos

Anderson Vidal disse...

Camundo é um dos livros que mais desejei em 2011, infelizmente, ainda não tive oportunidades de lê-lo. Eu adorei sua entrevista, ficou muito interessante pois, você realmente conversou com o autor e não enviou várias perguntas à serem respondidas, realmente gostei. É muito bom saber mais sobre os livros que você lê/vai ler ajuda a entender melhor a história. Enfim, depois dessa entrevista, fiquei com mais vontade de ler o livro!

Abraços, Anderson Vidal | Hooked for Books

Michele B. disse...

Adorei a entrevista!!
Eu já tinha visto a capa do livro, mas não tinha lido a sinopse, e lendo agora, eu quero muito ler esse livro.
O Nanuka fala que assistia a série "early edition", eu tambem via essa série, era muito legal, faz tantos anos atrás que já nem me lembrava mais dessa série, mas vale muito a pena assistir, eu adorava!!

http://lostgirlygirl.blogspot.com.br/

bjos

Marcos de Sousa disse...

A entrevista foi excelente. Não conhecia o autor, mas me interessei pelo livro. O booktrailer ficou muito bom também.

RUDYNALVA disse...

Caleb!
É importante a entrevista com os autores porque assim, temos condições de conhecer um pouco mais sobre ele e sua obra. A entreista foi bem conduzida e descontraída, parabéns! Não li ainda o livro.

Vi que o blog está participando do booktour do escritor Fábio Paulo e vim conhecer, seguir e comentar em seu blog.
Gostei muito. Se desejar visitar o meu, vou gostar de ter sua presença por lá. Obrigada!
Carinho não tem preço, doe-se.
Blogueiras Unidas 1275!
Luz e paz!
Cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com/

@whosthanny disse...

ADOREI! Faz tempo que quero ler Camundo, mas a simpatia do autor me cativou mais ainda. Também fiquei bastante interessada pelo "Ladrão de Destinos".

Parabéns pela entrevista, você fez ótimas perguntas. (só tem uma que ficou repetida, sobre a construção de personagens)


Beijos,
whosthanny.com

Iasmin Guimarães disse...

Hey,
adorei a entrevista. Sou doida pra ler um livro do Nanuka :3
Camundo parece ser bem legal *-*

Bye,
http://prateleiradepensamentos.blogspot.com.br

Cynthia. disse...

Achei muito legal a entrevista :) Já tinha ouvido falar do livro, apesar de não ter lido ainda, e achei o trabalho com a capa maravilhoso. E confesso que não sabia que tinha sido desenhada pelo próprio autor. Acho que isso só aumenta a minha admiração, pois torna o trabalho ainda mais próprio e autêntico. E concordo sobre o problema da valorização do estrangeiro vir da própria história, mas, apesar disso, acho que algumas editoras estão, sim, investindo em autores nacionais muito mais do que faziam antigamente, o que já é um avanço.

Parabéns pela entrevista ;)
Um abraço!

http://www.ninanoespelho.com

Ana Ferreira disse...

Caleb, achei a sua entrevista muito bem conduzida e as respostas intercaladas ficaram ótimas.
O Nanuka foi muito simpático com vocês e acabou só aumentando a minha vontade de ler "Camundo", que tem tudo para ser um livro lindo, sensível, adorável.
E também "Ladrão de Destinos" me despertou essa curiosidade agora. Ótimos enredos, desejo de coração que ele tenha muito sucesso no ramo editorial brasileiro.
Beijo!

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